Povo Xakriabá


Trabalho etnográfico e antropológico feito por equipe multidisciplinar

OBS: Esta seção está baseada no verbete “Xacriabá”, da Enciclopédia dos Povos Indígenas no Brasil, do Instituto Socioambiental (ISA), e disponível através do site da Web dos Povos Indígenas no Brasil: link

<http://pib.socioambiental.org/pt/povo/xakriaba>.

“O Território Indígena Xakriabá constitui a maior reserva indígena do Estado de Minas Gerais. Localizado no município de São João das Missões, norte do Estado, o Território reúne mais de 7.600 indivíduos em 53.075 hectares e está dividido em duas áreas contíguas: a Terra Indígena Xakriabá (homologada em 1987 com 46.415 hectares) e a Terra Indígena Xakriabá Rancharia (homologada em 2003 com 6.798 hectares). O território localiza-se às margens do rio Itacarambi. O clima é quente durante todo o ano. A estação chuvosa compreende os meses de outubro a março. A vegetação predominante é o cerrado e, em sua maior parte, nativa e constituída por mata seca e a vereda, que são usadas para caçadas e coleta de frutos. Todavia, devido ao grande crescimento da população, à agricultura, ao aumento da criação de gado, à caça sem controle e fora de época as condições do ecossistema são preocupantes, observando-se o desmatamento de amplas áreas e que alguns animais se encontram em extinção dentro da TI. Os Xakriabá viviam, originalmente, em região de campo e tinham uma

organização social complexa, articulada pela presença de metades clânicas. A posição destes clãs no ordenamento espacial da aldeia era calcada no quadrante solar. Era um grupo caçador e coletor, mas com a redução do seu território devido à fixação das frentes pecuárias, viram este sistema produtivo e adotaram a agricultura segundo o modelo regional como forma predominante de atividade econômica. A agricultura de sequeiro concentra-se na produção do feijão-andu, da mandioca, da batata-doce e do gergelim. O método predominante é a roça de toco (derrubada das árvores de maior porte, queimada e rotação de áreas). Nas áreas de baixio, de solos férteis e irrigados, os métodos e produtos cultivados diferem. A intensidade da exploração é maior e são cultivados, principalmente, feijão das águas, arroz, banana, cana-de-açúcar, milho, cará, mamão, fumo, mamona, alho e cebola. Uma característica marcante da agricultura Xakriabá é a utilização constante de arranjos coletivos de trabalho com base nos princípios de solidariedade existentes entre os membros das famílias extensas e das aldeias. Na atividade agrícola, as formas mais comuns são: a “união” – que atualmente constitui a forma predominante e consiste na preparação de roças comunais, em geral pertencentes a membros de uma mesma família extensa ou da mesma aldeia, sendo que as parcelas familiares são separadas apenas simbolicamente, seus excedentes são trocados com os outros membros da família ou aldeia, e o trabalho não é remunerado; o “ajuntamento” – se utiliza nos momentos cruciais da coivara, limpeza da terra, plantio e colheita, reúne os membros da família extensa ou da aldeia e recorre ao sistema da troca de dias de serviço; e o “adjutório” que consiste na troca de trabalho entre parentes para realização de pequenas tarefas; e o mutirão, hoje pouco usado na comunidade Xakriabá. As comunidades indígenas Xakriabá têm participado de diversos programas e políticas públicas desenvolvidos pelo IDENE. Assim sendo, o Programa de Cisternas do Semi-Árido já implantou na região 22 cisternas de captação de águas de chuvas. Em princípio, a meta era a construção de 120. Já o Programa Cidadão Nota Dez contou com a participação de turmas de alfabetizandos e alfabetizadores do município de São João das Missões. Por sua vez, o Programa Leite Fome Zero atua na região beneficiando grande número de famílias dos Xakriabá. Atualmente o leite distribuído no município é de um laticínio de propriedade de uma associação comunitária local construído com recursos do PCPR. O Programa Ovinos Gerais está implementando um subprojeto na aldeia do Brejo Mata Fome. Enfim, o PCPR implementou de forma participativa seis subprojetos entre as comunidades indígenas Xakriabá”.

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