Claudia Andujar e os Yanomani

Claudia Andujar

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Claudia Andujar é antes de ser fotografa, ser humano íntegro. Dedicou-se mais de 30 anos as causas indigenas dos Yanomani, e, foi conhecê-los por intermédio de uma pauta pedida por demanda pela revista Realidade. Andujar é brasileira naturalizada, embora tenha nascido na Suiça e vivido na Romênia no curso de sua vida. Em entrevista ao Fotosite ela fala: “eles [os Yanomani] são o sentido de minha vida”. Sua fotografia foge, porém, de qualquer formalidade técnica. Ao viver os índios, protegê-los dentro das jurisdições legais (que certamente eles desconhecem), dar a eles uma visibilidade humana formada na ótica de suas lentes e de sua alma, Andujar faz das imagens um subterfúgio lirico da fotografia antropológica, tão preocupada em retrarar “o etnográfico”. É única no sentido da causa – coloca o sentido de sua vida, como ela mesma diz, em sua interação com os indíginas, vida essa que diz não ser fácil.

Constituiu ainda a série “Sonhos”: uma apreensão fotográfica decorrente de temáticas onícas. Para tanto, Andujar faz sobreposição de negativos, atingindo um efeito fascinante e autêntico. É somente vivendo isto, fazendo disto o sentido das coisas que ela consegue captar além de um recorte cientificista. Parece saltar a essência de toda a etnia em suas imagens.

Os Yanomani são uma etnia amazônica de índias caçadores-agricultores; constituem um conjunto cultural e lingüístico composto de, pelo menos, quatro subgrupos adjacentes que falam línguas da mesma família (Yanomae,Yanõmami, SanimaNinam). No Brasil, a população deles é de 12. 795 pessoas repartidas em 228 comunidades. O primeiro contato, no Brasil, com o grupo foi na decada de 10. A partir da década de 40, no entanto, o estreitamento das relações levou diversas missões evengélicas e católicas à catequese daqueles indiginas. Nas décadas de 70 eles foram expostos a uma quantidade de obras faraônias nos limites de Roraima, fazendo com que epidemias dizimassem parte de sua população, ainda com sua imonologia ligada à floresta e não ao pressuposto “progresso” dos positivistas.

Não bastando, na década de noventa uma série de garimpeiros se instalaram às margens do Rio Branco. Totalizando 40.000 cabeças – quatro vezes mais o contingente populacional de toda a população Yanomani. Foram, como se sabe, parte do descaso do Estado em tempos de preconceito antropológico. São e, no Brasil, o indígena é tido como um ser estranho, diferente das ilhas Polinésias, por exemplo, onde eles são alvo de respeito.

E é da história mitigada e da crença em algo maior que toda essa pragmática que Andujar se recobre de humanidade a fazer suas pesquisas. Ficou por anos presidindo a comissão Yanomani, ficando, inclusive, iguais anos sem fotografar. Sua compulsão é longe de ser fotográfica ou filantrópica: Andujar é uma artista em sua plenitude dentro de uma acepção artística de ser social, humano e visceral.

Reporter Felipe Chimicatti

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