A cultura religiosa dos bantos na cidade de Salvador e o sincretismo cultural brasileiro.

Quando um grupo de pessoas, que partilham de valores culturais comuns, avaliam crenças e costumes diversos dos seus, a atitude mais freqüente – comumente designada de etnocêntrica – é a de considerar as crenças e os costumes alheios, a partir de noções, categorias e valores que são próprios ao seu grupo de origem. Essa forma de avaliar o outro, peculiar à visão de mundo etnocêntrica, caracteriza-se pela tomada irrefletida e imediata dos valores particulares, próprios a um contexto cultural específico, como parâmetro universalmente aplicável ao julgamento das crenças e costumes de quaisquer outras culturas.. Josefina Pimenta Lobato( texto “ O Etnocentrismo”) No Brasil a cultura africana sempre esteve presente em manifestações culturais, tendo em vista o hibridismo cultural que permeia a cultura brasileira. A manifestação religiosa para os povos que vieram da Africa para o Brasil, Haiti ou Cuba foi e ainda é a manifestação de resistência cultural mais legítima se compararmos com outras formas de expressão cultural desses povos. Como colocou a antropóloga Yêda Pessoa de Castro, em seu artigo – “Antropologia e lingüística nos estudos afro-brasileiros”- “ Se o maior ponto de resistência oferecido às culturas africanas transplantadas para o Novo Mundo se acha na religião, por ela ser o “focal point” dessas últimas culturas – como salientou Herskovits – nas sobrevivências e orientações religiosas preservadas pelos negros nas Américas, observa-se a persistência de um “corpus” lingüístico de origem africana como meio de transmissão simbólica dos seus valores religiosos.” Outra antropóloga que contribuiu para a progressão dos estudos dos bantos – povos que fazem parte de grupo lingüístico localizados principalmente na África subsaariana e que migraram para o Brasil nos tráficos negreiros – foi Nina Rodrigues que viveu na capital baiana- Salvador- entre os anos de 1890 e 1903 e desenvolveu seus estudos de antropologia afro-brasileira. Nina observou que no início do século XIX, com a proibição do tráfico negreiro decretada em 1830 ocorreu a intensificação do comércio entre- Salvador e a Baía de Benin – país da África Ocidental onde negros eram capturados pelos portugueses por volta do século XVII e vendidos em alguns países da América – Nina, por meio da pesquisa, viu que a maioria dos africanos na cidade de Salvador eram de origem nagô e iorubas muito em função desse eixo de comercialização de escravos. O candomblé, enquanto manifestação religiosa, foi um objeto interessante para Nina precisar a importância desse culto religioso para o sincretismo religioso e cultural brasileiro. Ainda, os cultos afro-brasileiros foram de grande importância para a preservação de algumas palavras e expressões oriundas da África. Apesar da transposição de contextos sociolingüísticos africanos para a realidade luso-brasileira, observe a colocação da antropóloga Yêda Pessoa : (…) “ Como ainda ocorrem casos de transferência de sentido do termo africano a um termo português já existente, o que não implica necessariamente no desaparecimento do primeiro, embora, neste caso, tratando-se de manter duas ou mais variedades(…). Este fato também ocorreu com a Igreja Católica Romana que realizava seus cultos em latim para várias línguas diferentes. O importante não era entender todo a missa em seu sentido literal, mas a “função conativa” que essas manifestações tinham para integrar culturas diferentes. Os povos bantos com as suas cantigas folclóricas quando se reuniam nos terreiros de candomblé para celebrarem sua cultura o aspecto conativo da mensagem era mais importante do que o referencial. É importante refletirmos como a diversidade da formação histórica e cultural brasileira enriquece nossas manifestações e os desenhos que contornam e dão forma para a cultura popular no Brasil. Desta maneira,a postura etnocêntrica não corresponde com o bojo da história de nossa país, antes, afirma preconceitos que emergem da falta de conhecimentos da população brasileira que teve suas raízes históricas balizadas por variadas culturas; mas, especificamente no caso da cidade de Salvador é inquestionável a contribuição da cultura africana e para o resto do Brasil também é só observarmos as manifestações folclóricas de influência africana: capoeira, maculêlê, ou as expressões religiosas afro-brasileiras como a : Ifá, limo-da- Costa, cão-da-costa, espada-de- Ogum entre outras. Essas expressões oriundas da África já tem termos em português como podemos perceber e fazem parte do nossa formação brasileira.

 

Reporter Tarsila Costa

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